ESPM, H&M e a falta de profissionais negros no mercado publicitários

A faculdade ESPM está lançando um curso focado na influência negra na nossa formação como sociedade. Chamado “Me Representa! Marcas e representatividade”, terá corpo docente todo composto por professores negros e abordará uma assunto fundamental, mas que já precisa ser endereçado há anos.

O ambiente da publicidade é majoritariamente branco. As agências de publicidade tem pouquíssimos profissionais negros, as faculdades também indicam uma grande desigualdade, mas a questão é como isso se reflete e repercute para a publicidade?

Quando se vende uma ideia, é necessário entrar em sintonia com público e com os valores da marca para se chegar a uma campanha eficaz. Quando o pensamento dominante parte de um ponto de vista único, ou seja, quando não há diversidade, o direcionamento tende a ser para pessoas que compartilham desse ponto de vista.

Quando se deixa de representar parte da sociedade em um contexto, é como se parte da história fosse ignorada. Quando os padrões de beleza ou de comportamento são considerados sobre um único viés, se deixa de fora as diferenças, aquilo que nos faz tão especiais.

Casos recentes mostram como a ausência e profissionais negros na publicidade podem afetar a forma como as campanhas se desenvolvem. A campanha da marca americana H&M onde um menino negro veste um casaco com a frase “Coolest monkey in the jungle” (Macaco mais descolado da selva) tomou a internet de assalto, gerando milhares de críticas à marca.

Quando uma foto de divulgação chega a ser publicada é porque ela já passou por diversos profissionais. Da escolha do modelo à publicação da imagem, fotógrafos, editores, equipe de criação e vários outros profissionais participaram dos diversos processos da campanha e ainda assim a imagem com forte conotação racista foi publicada.

Parando para pensar e conhecendo o mercado de publicidade, quantos profissionais negros teriam trabalhado com essa campanha? Provavelmente nenhum. A falta de diversidade em agências se reflete diretamente na falta de representatividade nas campanhas.

É necessário que a publicidade, assim como qualquer setor, seja uma representação da nossa sociedade e possa usufruir da nossa diversidade para produzir materiais mais ricos, representativos e que abracem as diferenças.

2018-01-12T19:04:09+00:00